terça-feira, 22 de maio de 2012

UM OLHAR SOBRE O MERCADÃO 2000 - SANTARÉM / PA


Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA
Instituto de Ciências da Sociedade - ICS
Programa de Antropologia e Arqueologia - PAA

 Aldo Luciano Corrêa de Lima

Inclusão, exclusão, espaço e poder no complexo do Mercadão 2000 em Santarém – Pará.
 

As feiras e demais espaços de comercialização sempre se constituíram de relações complexas de poder social decorrentes do poder econômico que cada indivíduo exerce sobre outro nessa relação de comércio. Nela é notória a distinção de papéis dos indivíduos que a constitui em função do aumento da produção, aperfeiçoamento e combinação de tarefas e de tecnologias, ou seja, sua especialização (ADAD, 2011).

 Em primeira visita in loco ao olhar desapercebido da maioria dos indivíduos que fazem parte desse complexo sistema de relações o que se pode perceber é uma ação coletiva mista e diversificada que engloba basicamente dois  sujeitos: vendedor e comprador. Relação essa que remonta às primeiras formas de comercialização nas áreas de florestas, denominadas de guildas,  até a constituição de feiras dentro dos muros dos castelos medievais.
              
            As relações de produção e comercialização que se estabelecem: domínio e sujeição são dois elementos importantes para sua compreensão. No entanto, ao se identificar cada sujeito e sua ação dentro do Complexo do Mercadão 2000 é possível constatar uma complexa rede  de relações que se estabelecem em diversos setores que constituem o Complexo e suas áreas adjacentes. Entender esse complexo sistema de relações é de fundamental importância para se entender através de uma análise etnográfica a relação de poder que cada indivíduo exerce sobre o espaço físico sob sua responsabilidade e sobre o outro seja ela de inclusão ou exclusão. 






 Trecho do trabalho da disciplina de Introdução à Etnografia realizado em maio de 2012.

EXERCÍCIO DE ESTRANHAMENTO DO OUTRO


Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA
Instituto de Ciências da Sociedade - ICS
Programa de Antropologia e Arqueologia- PAA
Teoria Antropológica I


Aldo Luciano Corrêa de Lima

Bruna, 20 anos, natural de Macaué, Pará,  desde cedo, pela manhã do sábado passou a fazer a limpeza e arrumar a casa como de costume. Pela tarde começou a estudar com um de seus amigos até à noite quando chegou mais quatro de seus amigos da universidade. Após o estudo Bruna começou a cortar mangas para oferecer sucos a eles. Após lavar a  louça  utilizada para fazer o suco Bruna o serviu com pães, patê, refrigerante, vinho e cachaça arrumados na mesa em que estudavam. É interessante como um simples  estudo pode virar numa cachaçada. Na verdade, na maioria das vezes o estudo serve apenas como pretexto.

Durante a refeição, ao estilo inglês medieval, foi possível perceber que no meio da conversa vez ou outra alguém pegava o seu celular para ficar teclando em redes sociais. Mais uma vez é interessante perceber a força que o celular exerce em meio às relações sociais em contato real. Qual a necessidade desse comportamento? Em seguida todos brindaram à saúde, à amizade, aos estudos e ao sexo que gostariam de fazer ao longo de seus percursos acadêmicos, cada um com seu refrigerante ou vinho ou cachaça ou suco de manga. Bruna dionisicamente brindou com vinho.

Máscara - Acervo Fundação Curro Velho, Belém / PA
. Foto: Aldo Lima.
 Inconscientemente a disposição dos convivas à mesa era semelhante a um banquete real. O dono da casa à cabeceira, no lado oposto um amigo de influência para flertar e trocar olhares, e em cada lado da mesa, um casal. Bruna assumiu o assento direito ao dono da casa, lugar privilegiado que é sempre concedido ao convidado de honra. No entanto, ela revezava-se em seu posto de nobreza e sua posição de vassalagem ao servir os demais. Entre muitos assuntos ao mesmo tempo Bruna ficou por algum tempo em silêncio, mas logo em seguida começou a falar de forma enfática, frenética e persuasivamente como se quisesse convencer a todos sobre alguma verdade. Ela falava duplamente, com a voz e os gestos, simultaneamente.

 Entre tantos assuntos e brincadeiras que descontraiam a todos,  falar sobre os medos e experiências da infância dos presentes foi o destaque, onde surgiram histórias como a de um menino que brincando com seu primo na canoa esqueceu uma pedra amarrada no remo, quando o avô do menino resolveu voltar para casa notou que estava com muita dificuldade para remar foi quando resolveu levantar o remo e descobriu a pedra amarrada.  Outra contava que um tio resolveu brincar de pira esconde com seus sobrinhos numa casa grande que tinha vários esteios no centro da casa, lá não havia luz elétrica, quando o tio saiu a procura dos demais todos ouviram um grande TUM, a casa balançou, o tio havia dado de testa em dos esteios e a brincadeira acabara com um grande golpe na cabeça. Histórias de ratos andando em palhas de arroz e cavalos que se soltavam à noite e que eram confundidos com visagens que faziam as crianças se enrolarem em suas redes como em um casulo. 

Foi falado ainda sobre o medo que se tinha na hora de ter que ir ao sanitário que ficava fora das casas principalmente quando se tratava dos sanitários da área de várzea onde era preciso andar em  estivas e onde a tensão e ao mesmo tempo alívio se tinha com aquele “plum” na água. Do medo de bezerros que fizeram um garoto atravessar uma cerca de arame farpado sem se dar conta do feito e do costume que os pais tinham de fazer os filhos tomarem benção de todo mundo criando assim muitos tios e tias, mesmo sem nenhum grau de parentesco. 

Todas essas estórias  e histórias foram regadas por muito destilado ou fermentado e ficavam cada vez mais autênticas e criativas com o passar da hora, comprovando o quanto o imaginário amazônico é rico em simbologias e medo. E Bruna como amazônida é raiz, tronco, galho, rama, folha, flor e fruto desse meio. E infelizmente ao final todo mundo embriagado, ninguém comeu ninguém.

Exercício de estranhamento da disciplina de Teoria Antropológica I apresentado em março de 2012.

EXERCÍCIO DE ESTRANHAMENTO DO EU A PARTIR DE MIM MESMO


Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA
Instituto de Ciências da Sociedade - ICS
Programa de Antropologia e Arqueologia - PAA
Teoria Antropológica I

Aldo Luciano Corrêa de Lima


ETNOGRAFIA DO  EU A PARTIR DE MIM  MESMO

1.       Origem:
Pensamento - desejo – instinto – necessidade – homem – mulher - cidade de Primavera – Pará – Brasil – América do Sul – Continente Americano – Planeta Terra – Sistema Solar – Via Láctea – Universo – Infinito…
2.       Características:
Aldo Luciano Corrêa de Lima, espécie humana do sexo masculino, 32 anos, 72 Kilos, 1,65cm de altura. Corpo atlético com leves traços para obesidade. Fenótipo indígena com algumas características negras decorrente da miscigenação de pai com  fenótipo indígena e mãe com fenótipo negro. Temperamento forte, no entanto aparentemente calmo e inseguro.

3.       Localização:
Reside na cidade de Santarém, Pará que possui uma população de aproximadamente 300.000 habitantes, banhada por dois rios: Amazonas e Tapajós. Já morou em São Luis/MA, Macapá/AP e Belém/PA, apresentando dessa forma uma tendência a adaptação em habitats de água, seja doce ou salgada.

4.       Hábitos alimentares:
Café – pão, queijo, margarina, café, leite, açúcar. Nota-se que seu café da manhã é semelhante há hábitos da cultura ocidental, como o consumo do pão francês. Percebe-se a falta do uso de alimentos nativos como: macaxeira, pupunha, cará, tapioquinha, bejú de mandioca e chá de capim santo muito consumido por populações tradicionais.
Almoço / Jantar – alimentação baseada em carboidratos, gorduras saturadas e outros alimentos industrializados como por exemplo, cup nudles, massas, sucos em caixas, leite em caixa, arroz parborizado, açúcar granulado, etc. Alimentos que contém altos índices de manipulação química. O que se pode perceber é que muitas atividades realizadas durante o dia requer maior tempo para a realização das mesmas, dessa forma alimentar-se bem tornou-se uma ação em terceiro plano para a maioria da população do século XXI. Esse tipo de comportamento é muito comum em sociedades capitalistas onde é preciso produzir  e consumir cada vez mais e mais para poder sobreviver. Outras mudanças perceptíveis é o uso de novas ferramentas para a produção de alimentos como o forno microondas e o uso de refrigeradores para a preservação de reservas de suprimentos alimentares. O que antes era considerado como parte do modo de fazer e cozer um alimento atualmente não passa de simplesmente esquentar os alimentos industrializados instantâneos prontos para o consumo. Existe uma lógica consumista muito bem elaborada por trás da tecnologia existente nas novas ferramentas desenvolvidas desde a manipulação do fogo, fogueiras no chão, fogões em pedras, fogões de barro, fogões à gás, forno  microondas e tantos outros instrumentos para a culinária que são movidos pela energia elétrica e que foi muito bem absorvida pela sociedade atual.              Uma observação é necessária, fora do contexto citadino ou urbano - e aqui se faria necessário uma reflexão mais profunda do que é o urbano na Amazônia, mas que não vem ao caso – nota-se uma grande flexibilidade no consumo de alimentos naturais baseados principalmente em pescados, farinha de mandioca e frutas, dieta comum às comunidades tradicionais.

5.       Cultura:
5.1   Dimensão religiosa:
O indivíduo é declarado católico-apostólico-romano de corrente moderada, nem ortodoxo nem progressita. Desde a infância foi educado à fé católica de tradição romana, a mesma trazida e imposta pelos colonizadores portugueses. Essa é uma comum tradição familiar tipicamente européia onde as convicções religiosas são transferidas aos descendentes. No entanto há um notável comportamento de cunho ecumênico que o faz transitar entre o cristianismo pentecostal, religiões de matrizes africanas e rituais indígenas sem interferência na convicção doutrinária religiosa seja a sua seja a do outro individuo, isso o destaca entre muitos indivíduos cristãos.
5.2   Artes:
É um indivíduo que tem habilidades para pintura em telas, desenho, tocar instrumentos como violão, teclado e instrumentos de percussão como pandeiro, afoxé, marimba, curimbó, e ainda cantar. As primeiras habilidades são decorrentes da influência ocidental  com ênfase no período árcade e renascentista, no entanto as demais habilidades se dão por conta da forte influência  de culturas como a africana por conta do transito em religiões de matrizes africanas e a convivência em comunidades de remanescentes de quilombo.
5.3   Vestimentas:
As suas vestes passaram de sua função de proteção contra o frio e sol para um signo do trabalho realizado e do modo de ser individual. Assim percebe-se roupas mais elaboradas por conta de seu trabalho desenvolvido na esfera política pública e roupas mais simples para o trabalho com comunidades tradicionais, universidade, em casa. Em todos os casos elementos da vestimenta ocidental são muito nítidos: sapatos sociais que remontam à cultura tipicamente francesa do tempo de Luis XIV, calças jeans típicos dos proletários estadunidenses, camisas, bonés com forte influência norteamericana. É possível notar ainda uma tendência ao uso de biojóias que remontam à antigas civilizações Maias ou a povos indígenas mais recentes. Uma curiosidade é a predileção pelo uso do fio de algodão puro que contrapõe o uso de tecidos sintéticos utilizados na atualidade.

6.       Trabalho:
Aldo Lima trabalha como assessor de gabinete na Câmara Municipal de Santarém e como consultor de projetos na Federação das Organizações Quilombolas de Santarém. A ansiedade pelo consumo que o sistema capitalista impõe o faz trabalhar cada vez mais obrigando-o inclusive a especializar-se em algum tipo de formação. Esse é um comportamento comum para quem quer sobreviver e viver de forma cômoda e satisfatória em 2012 – aqui faz-se necessária a compreensão relativa do que seja uma vida cômoda e satisfatória, mas que também não vem ao caso discorrer agora sobre esse assunto. O primeiro trabalho é desenvolvido unicamente para tentar satisfazer os consumos pessoais já o segundo é tratado como militância e logicamente como fonte de recurso monetário e de conhecimento que o fez aproximar-se e interagir mais com as comunidades de remanescentes de quilombo, fazendo com que a identidade afrodescendente se estabelecesse de forma maior ideologicamente.

7.       Sociabilidade / Grupos sociais:
Em sua residência convive com dois cães e uma amiga de universidade que encontra somente à noite quando ambos conseguem terminar suas atividades acadêmicas e conversam sobre as ações realizadas durante o dia. Os cães suprem a necessidade de companhia comum a indivíduos solteiros e que costumam morar sozinhos, aqui faz-se ressaltar que até três meses atrás Aldo morava sozinho.
Participa ativamente de inúmeras reuniões em comunidades quilombolas, associações de bairro, movimentos eclesiais. Convive ainda com artistas do teatro e universitários. Toda essa relação justifica seus cães. Esse é outro comportamento comum a indivíduos do século XXI que cansados do stress do dia a dia procuram o isolamento e o descanso.
Dessa forma o que se pode concluir é que Aldo Lima é um indivíduo que apesar das reminiscências indígenas ou africanas consegue transitar por múltiplas culturas e assimilar um pouco de cada uma delas formando uma colcha de retalhos cultural. Se isso é bom ou não, não cabe agora o julgamento, mas ao menos serve para a ADAPTAÇÃO  e para a SOBREVIVÊNCIA das espécies. 

Esse exercício de etnografia foi realizado para a disciplina de Introdução Antropológia I em março de 2012.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CUIPIRANGA: FAZEI ISTO EM MINHA MEMÓRIA - SENSAÇÕES. (SANTARÉM – PARÁ – BRASIL)


Por: Aldo Luciano Corrêa de Lima.

Lugar onde o sangue dos cabanos é vivo e verte nas areias granuladas e vermelhas de sua praia principal, o próprio nome da comunidade remete a esse significado que na língua indígena quer dizer “areia vermelha”. A mesma está localizada em um ponto do rio Tapajós que além de estratégico para o combate é mágico. Por os pés em Cuipiranga e não sentir  a energia que emana de suas areias é impossível mesmo para os mais céticos e gnósticos. 

Neste fim de semana, 06 a 08 de janeiro de 2012, comemorou-se a memória da luta dos cabanos por uma vida mais digna. Cuipiranga não foi só palco, mais cenário de uma parte dessa história de luta. Suas 48 famílias que lá habitam possuem pessoas que trazem no olhar e no seu modo de agir a força motivadora dos cabanos e, como é de costume do povo que mora no interior da Amazônia e principalmente à beira do rio, gente muito simpática, acolhedora e prestativa.

Lugar onde a via de entrada é o rio e o quintal é um lago, onde crianças brincam, com propriedade,  com “saúbas” enormes junto a sua “vó velha” que por sua vez fica sentada nas raízes dos grandes muricizeiros existentes na praia observando seu neto, como que de prontidão para socorrer na hora de qualquer infortúnio com o manusear das formigas saúvas. 

No fim da tarde, mães velhas sentadas à sombra de seus casebres de palha ou material misto dobram palhas para renovar o telhado de seus casebres. Lá o limite dos terrenos é feito de liberdade consciente de ir e vir de cada um respeitando o espaço e a privacidade do próximo.

No início da noite de sexta-feira foi possível fazer memória e celebrar a presença dos cabanos através do levantamento do “mastro da Cabanagem”, cujo povo carregava como quem carregasse canhões para a guerra e onde à frente a proposta se fazia de sangue e/ou paz, simbolizadas pelas bandeiras vermelha e branca do Divino Espírito Santo e, ao som do Marambiré foi possível, ainda, sentir a alegria e o júbilo da vitória da luta de cada dia que os novos cabanos traçam. Fincar o mastro nas areias vermelhas é como fincar as convicções de um povo, é como firmar um compromisso com os cabanos que derramaram seu sangue naquele chão de onde existe uma profunda e constante conexão com o passado, de onde é possível sentir o calor cabano junto à fogueira acesa.

Talvez essa seja a melhor palavra que expresse o sentido e a energia de Cuipiranga: CONEXÃO. Cuipiranga é um portal conectado a múltiplos sentidos entrelaçados ao passado e ao presente e que conspira constantemente a um futuro de lutas, muitas lutas.

Junto à Cuipiranga está a Vila Amazonas e a comunidade de Guajará interligadas por uma via que nos leva mata à dentro se apresentando como uma via mística também com seus portais ora constituídos por roçados de mandioca, por mata aberta e fechada, passando por seringais e caçoais que nos fazem entender que não estamos caminhando sozinhos. Esta caminhada foi feita no sábado e durou a manhã toda e teve início com uma mística realizada na praia onde foi possível sentir a presença dos cabanos na areia, nas águas e na brisa.

Em Vila Amazonas encontraram-se pessoas simples e muito felizes que com sua cantoria e acolhida vivificante que renovaram por completo o ânimo e a energia de quem se cansou durante a caminhada. Não bastasse o alimento espiritual e corporal que o povo deu, Dona Aurea saciou por completo nossa fome corporal com seu saboroso Pacu cozido servido com uma farinha de mandioca bem torradinha, daquela que faz um “grum grum” na boca.

Cuipiranga é ainda lugar onde as pessoas no fim da tarde sentam-se em bancos improvisados feitos de tábuas à sombra dos muricizeiros para contar os acontecimentos e causos do cotidiano saboreando um café fresquinho ou até mesmo os murucis que caem ao chão.

          No domingo, último dia de celebração em memória dos cabanos e primeiro de nosso compromisso com eles por cada dia, junto aos mortos corporalmente e vivos espiritualmente ou mortos espiritualmente e vivos corporalmente, reverenciamos a cada cabano  e assumimos o compromisso de resistir e lutar sempre. Depois nos dirigimos junto ao mastro erguido para sua derrubada que foi antecedido por uma peça cômica feita pelos “pretos vindo lá de Pinhér (Pinhel)”.

          Ver um jovem subir o mastro e ao mesmo tempo ser puxado para baixo pelos pretinhos de Pinhel é perceber que para subir, alçar realizações é preciso não esquecer de fincar os pés no chão.  Com a permissão dada por eles, os pretinhos, aí sim é possível subir e jogar as frutas aos participantes como quem sacia a fome de justiça do povo. Dar uma machadada no mastro  é como dizer, na luta é preciso construir, erguer, mas também derrubar para construir novamente novas vitórias que se dão através da luta e da partilha, da coletividade, e isso foi muito bem representado pela saborosa piracaia feita à sombra de um grande muricizeiro.

"A CABANAGEM MORREU? NÃO! NÓS SOMOS OS NOVOS CABANOS!"

Cuipiranga e eu em fotos:

Grupo de Marambiré




Os murucizeiros

O quintal

Portal 01

O mastro da Cabanagem

Levantamento do mastro

Mística na praia - sentindo a força e presença dos cabanos

Portal 02 - Caminho de Vila Amazonas para Guajará

A cantoria de Vila Amazonas

Romaria Fluvial

O mastro da Cabanagem - entardecer

A via de entrada de Cuipiranga

Cemitério cabano - Portal 03



Ruínas da Igreja do período da Cabanagem - Portal 04



Trilha de Cuipiranga a Vila Amazonas - Portal 05

sábado, 31 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS!



Poema
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. 

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros. 

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós. 

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. 

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta. 

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada. 

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore. 

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem. 

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar. 

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ". 

(Vitor Hugo)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FESTA DA T1 - ICS, ICTA, IEG, ETC... - UFOPA

Alguma vez li em algum lugar que o homem para ser um homem de verdade deveria passar por um desses três lugares: Forças Armadas, Seminário e Universidade. Já me alistei na Marinha ...somente e nada mais..., já dediquei cinco anos de minha vida a um seminário, agora estou na universidade. Aos poucos vou compreendendo o sentido do que li. De como esses lugares foram e esta sendo (a UFOPA - Universidade Federal do Oeste do Pará) para meu amadurecimento - nessas horas lembro do que está escrito em algum lugar das Cartas Paulinas: "...quando eu era criança, pensava  como criança...".

Hoje a universidade tem me dado novas oportunidades, inclusive a de voltar a partilhar responsabilidades com novos amigos como os que estão morando comigo, e para quem já estava habituado a morar sozinho em seu egoísmo, dividir é sempre um problema, mas estou mudando aos poucos novamente.

Esse mês realizamos a confraternização de nosso turma do primeiro semestre, a T1, ao menos era pra ser, mas acabou sendo uma festa de integração dos institutos da UFOPA. Essas fotos aqui são de nossa festinha em minha casa:

Adrielle e eu

Adriano e eu

Adrielle, Adriano, Aline Gamboa, Luan e eu

Luan Brito, Adrielle, Amilton e Aline Gamboa

Adrielle, Aline Gamboa, Adriano e Luan

Andressa e Alan Chaves

"Andar com fé eu vou , que a fé não costuma faiá..." - CAMINHADA DE FÉ COM MARIA 2011

Neste mês de dezembro a fraternidade Frei Juvenal Carlson me proporcionou uma belíssima caminhada, não foi uma caminhada qualquer e sim uma de FÉ COM MARIA, esta caminhada percorre 37 Km da igreja de Santo Antônio, município de Mojuí dos Campos até a igreja de N. Sra. da Conceição no município de Santarém.  Saímos às 19h de Mojuí e chegamos a Santarém por volta das 07h da manhã. Foi uma caminha belíssima com muita devoção a N. Sra. da Conceição. Obrigado, Senhor Deus, por tudo!!! Que esta caminhada nos faça recordar o caminho que temos que percorrer até Ti.


O melhor de percorrer os 37 Km foi a companhia e o incentivo dos irmãoas e irmãs quando o cansaço batia juntamente com o sono, até conduzido pelo braço fui quando estava meio sonoleto. Experiência de dedicação fraterna igual a essa dúvido que oustros experimentem, por isso amo muito essa fraternidade. Nossos lenços vermelhos são o sóbolo de nosso "padroeiro": Frei Juvenal Carlson, norte americano sempre muito alegre que usava um lenço vermelho ao pescoço.

A caminhada também me fez lembrar que neste CAMINHO como somos tão frágeis..., sobre como existem pessoas que somente louvam, outras que não deixam de tirar os pés dos chão, outras que apesar da idade avançada continuam a caminhar muitas vezes até mais rápidos e perseverantes que a juventude afoita e inconsequente. De que existem pessoas que necessitam de ajuda para caminhar (eu precisei...), ajuda mesmo em todos os sentidos. Todos na companhia não de qualquer pessoa, mas de MARIA, Mãe de Deus, ela que conduzia como se pegasse todos pela mão e levasse até seu Filho Jesus, este é o sentido de toda essa caminhada, felizes o que conseguiram perceber isso e mesmo os que não perceberam também são felizes porque são movidos por uma fé tal que não possuo ainda.


Louvado sejas meu Senhor, pelos caminhantes desta e da outra VIDA! Um dia chegaremos a Ti.